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POEMAS DE JOÃO AYRES

João Ayres
philoston@ibest.com.br

http://www.geocities.com/johnnyayres
Brasil

 

Caminho por onde me desconheço

O inferno expelido em gotas me arrebata

Estou para o final dos tempos como todos aqueles que padecem

O silêncio me diz coisas quando nada falo

Posso sair por aí como se não fosse

Nem mais nem menos do que minha própria sombra no escuro.

 

****************

 

Há um risco na parede que me leva

Para longe de meu longe num segundo

As marcas de sangue no lugar onde morri

Antes mesmo de me tornar muitas vezes um homem só.

 

Este risco na parede esconde um nome

Que ecoa no vazio dos corredores da memória

Para longe de meu longe onde não me vejo

Para longe de meu longe em ninguém.

 

****************

 

Eu sonho com noites escuras

E meu corpo procura abrigo

Tão vazio me perco em palavras

Que me levam para longe de mim

 

Já não sei onde estou quando estou

Enredado na teia das horas

Quando assim me calo sozinho

Quando a chuva lá fora se estende

 

Eu sonho com noites escuras

E meu corpo estremece de medo

Tão intensa esta dor que eu sinto

Que me leva ao começo do fim.

 

****************

 

Vento que traz um aviso

De que amanhã não serei mais que sou

Amanhã ou depois de amanhã

Quando escuto ou falo contigo.

 

O silêncio lá dentro de mim

Me diz coisas que estão muito além

Eu procuro sem nunca achar

Da janela a correr como um rio.

 

****************

 

Á noite quando todos dormem

Procuro um lugar sem lugar

Para fechar as cortinas

Para fugir e não mais ser

Nem mesmo qualquer coisa alguma.

 

Eu conto as estrelas sozinhas

E deixo que as horas passem

Calado e triste procuro o além

Nas águas do tempo em meu abandono.

 

Á noite quando todos dormem

Procuro um lugar sem lugar

Á noite quando todos se esquecem

Posso ouvir e calar e não ser.

 

****************

 

Meus sentidos adormecem

E eu vejo mais no escuro

Quando tudo está mais perto

Quanto mais distante estiver.

 

Já passei por aqui muitas vezes

E nem sequer pronunciei um só nome

Sem registro como quem se esquece

Numa rua qualquer sem saída.

 

JOÃO AYRES

Meu nome é João Ayres e sou poeta e contista desde de que me entendo por gente. Luto intensamente com as palavras e faço desta luta um exercício de vida.  Comecei muito cedo e em silêncio este meu intenso envolvimento com a poesia e a prosa.

Aos poucos tal atividade foi tomando conta de minha alma. Quando percebi,já era tarde. Estava completamente tomado por tudo.

Sou brasileiro e resido numa pequena cidade no Estado do Rio de Janeiro chamada Niterói. Durante longos vinte anos permaneci anônimo devido a um nível obsessivo de exigência estilística.

 

 

 



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