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ALGUNS TEMPOS DO VERBO...

José-Augusto de Carvalho
Lisboa, Portugal

 

Imagem: Adão e Eva expulsos do paraíso   
Michelangelo
Detalhe de afresco, Capela Sistina

 

No princípio, o verbo quis,
em conjugações obscuras,
ser grão e depois raiz
do chão projectando alturas...

 

Desnudo, no paraíso,
o par de divina essência
cantava, no tom preciso,
o elogio da indolência.

 

Do seu cume imperativo
e projectando o perfil
pelas lonjuras de anil,
deus olhava o par cativo.

 

E, certo da tentação,
provocou a transgressão.

 

***********

 

Expulso do paraíso
no primeiro alvorecer,
era ainda um improviso
a vida que houve de ser.

 

Adão pesou, pensativo,
o gesto da divindade
e a condição de ex-cativo,
encontrada a liberdade.

 

E naquela antemanhã,
que mal podemos supor,
percebeu por que a maçã
tinha um estranho sabor:

o sabor da inteligência
acordando a consciência.

************

Pródiga era a natureza!
Tudo dava, hospitaleira...
Viver era uma beleza,
sem transtorno nem canseira.

 

Sentia às vezes saudade
do paraíso perdido...
Mas fora a sua vontade:
assim tinha decidido.


Lá, tinha que obedecer,
ser aplicado no estudo
e ouvir então rebater...
A liberdade era assim:


não se podia ter tudo
dentro ou fora do jardim...

 

 

*********

Sem armas e sem abrigos,
um ninho nos ramos altos,
prevenia os sobressaltos
dos mais diversos perigos.

 

Nessa arte da construção
imitou os primos símios,
que eram astutos e exímios,
arquitectos de eleição.

 

Gozando a paz absoluta,
descobriu ser bom pensar:
e concluiu que uma gruta
era o lar a conquistar,


por ser melhor tal intento
do que viver ao relento.

 

 

**********

 

Um dia, o par decidiu
o que há de mais natural:
Eva emprenhou e pariu
o pecado original...

 

E do seu cálido ninho,
recendendo a puridade,
foi descoberto o caminho
terrestre da humanidade.

 

E tudo assim sem alarde,
nem hosanas nem prebendas...
Não foi cedo nem foi tarde.
Depois vieram as lendas,


criadas no tom preciso
p'ra nos moer o juízo...

 

 

 

 

 



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