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/ Se um viajante numa Espanha de Lorca
 
 

 

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POR ACIDENTE

Antonio Junior
antonio_junior2@yahoo.com
http://www.elgitano.blig.ig.com.br
Ibiza, España

 

Estou em Ibiza por dois dias para uma entrevista com Polanski. Nao é nada mau. É um desses lugares alucinantes que atrae freaks, milionários, celebridades, putas, suculentos corpos de academia, rebeldia sintética, maricóns e todas as tentaçoes do mundo. O diretor do asfixiante “O Bebê de Rosemary” me recebeu no início da tarde do segundo dia. O cenário é cinematográfico: no alto de uma colina, uma paradisíaca residência protegida por pinheiros e com vista para o mar Mediterrâneo. A decoraçao luxuosa tem toques orientais e mexicanos. Sento numa poltrona macia, aceito o suco de pêssego e durante segundos, emocionado, uso a técnica do auto-controle para iniciar racionalmente a conversa. Depois de apertar a minha mao, o polaco acende o grosso charuto cubano. Da varanda, vejo sua mulher, a atriz francesa Emmanuelle Seigner, deitada no branco sofá lendo um best-seller, indiferente a todos. A filha Morgane brinca na piscina e o mais novo, Elvis, recebe a proteçao da babá. De sunga minúscula, camiseta azul, descalço, olhos pequenos e irônicos, Roman Polanski fala durante duas horas sobre sua vida e sua carreira. Sua história intensa e extraordinária é marcada por cruéis experiências: a mae morreu em um campo de concentraçao, passou a infância no gueto judeu de Cracóvia, teve a bela esposa Sharon Tate e o filho a ponto de nascer assassinados por um fanático religioso, foi acusado de manter relaçoes sexuais com uma menor na casa de Jack Nicholson, expulso dos Estados Unidos e outros turbulentos acontecimentos. Quando todos pensavam que estava criativamente acabado lançou o bombástico e sensível “O Pianista”. Deixo a residência com o coraçao saltando pela boca. Nao detectei nenhum sinal de um homem que cultua o diabólico, como a mídia faz crer. Tudo em harmonia, agradável; e Polanski é uma figura autêntica. Sigo para um chiringuito na praia, encontrando amigos. Um deles vem inesperadamente com essa: “De qué se trata? Antonio Banderas lo tiene grande; Brad Pitt lo tiene pequeño; Madonna no tiene y el Papa nunca usa el suyo”. Todos caem na gargalhada. Amolecido pelo sol forte e os coquetéis de vodka com frutas, fecho os olhos, estirando-me na areia, e martelo na cabeça o trecho “Brad Pitt lo tiene pequeño”. Certa vez, sem nenhum estudo científico, apenas usando a intuiçao e a percepçao, escrevi sobre os problemas emocionais que podem causar a posse de um pau pequeno, e ainda hoje, uma década depois, continuo acreditando que um orgao minúsculo é algo que provoca frustraçao, fundamentando a lúbrica teoria nas estátuas de deuses gregos com pênis infantis. É como uma censura, uma falha dos deuses ou uma obra inacabada de um escultor. Quando Brad Pitt foi flagrado pelado, em um iate, por paparazzis, milhares de machos respiraram aliviados, o big símbolo sexual era imperfeito, “santo de pés de barro”. No hilário e informativo “The Penis Book”, de Joseph Cohen, lido no hall de uma pousada lotada, o autor ensina, entre outras coisas, que o tamanho do pau depende em grande parte da genética, nao do tamanho dos pés, das maos ou do nariz como muita gente segue à risca; diz que entre os 15 e 60 anos um homem ejacula de 34 a 56 litros de sêmen, que contém de 350 a 500 mil milhoes de células de esperma. Pirei ao saber que os eunucos da corte imperial china quase sempre levavam seus testículos em frascos que exibiam em volta do pescoço. Os testículos sao bolas de fogo; sao os cojones, pelotas e huevos dos espanhóis e o nosso saco de cada dia. É difícil imaginar que uma coisa menor que um abacaxi possa ser a causa de tantas sensaçoes, aventuras, negócios de telefones eróticos, revistas pornôs, visitas ao psiquiatra, bebês, noites de insônia, mentiras, crimes e tantos bons momentos. Keith Haring em 1989 pìntou uma série de paus no banheiro do Centro de Serviços da Comunidade de Gays e Lésbicas de Nova York. O filme “Intimidade”, de Patrice Chéreau, provocou escândalo com o fellatio do casal protagonista. A felaçao, do latino fellare, mamar, está sempre na moda porque é um conceito muito simples e satisfatório: somente se necessita uma boca e um peru. Se pode praticá-lo num carro estacionado - em movimento é arriscado, foi assim que morreu entalado o diretor do clássico expressionista “Nosferatu”, o alemao Murnau - ou na cama com a dupla dando-se prazer utilizando o consagrado 69. Fiquei realmente louco ao ser chupado enquanto estava sentado em uma poltrona de um cinema londrino. Alguns homens inclusive gostam que, enquanto rola a sacanagem oral, que apertem os seus testículos ou que um dedo explore o seu ânus. O termo chupada é forte, quase baixaria verbal. Seria uma palavra-pornô? Um insulto? Nao sei porque, porém resultava mais poético quando os antigos gregos chamavam de “tocar a flauta”. Ou quando os escribas do Kama Sutra o denominam ambarchusi, “lamber uma manga”. Mas por que esse ensaio sobre o sexo masculino? Perdoe-me, caro leitor, é que escrevo sem tabus. Deveria estar remoendo os demônios de Roman Polanski. As variaçoes sobre o orgao sexual masculino surgiu acidentalmente. Talvez em consequência do sol, das piadas, dos drinques, da libertina Ibiza...É hora de partir. Antes de despedir-me, o amigo cômico conta mais uma das suas: “Dios nos dio un pene y un cerebro, pero sólo nos dio sangre suficiente como para que funcionaran de uno a uno”. E assim está escrito.

 

 



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